A democracia realmente se fortalece não pela acumulação do número de manifestantes, nem pelo volume dos gritos de guerra, mas pelo diálogo.
Então Bento Gonçalves se prepara para assistir a passeata e a manifestação marcada para esta sábado, quando, dizem,  5 mil pessoas devem participar. A maioria jovens. Lojistas se preparam para fechar lojas, policiais se preparam para garantir a ordem e o patrimônio público, autoridades adotam providências para que tudo transcorra bem e pelo jeito a confusão não irá manchar o movimento.

Participar é assumir responsabilidade. As tarifas baixaram, mas as manifestações continuam com várias causas diferentes; é preciso ter cuidado com os que pretendem usar os números em seu favor, ou que tentam determinar quais temas podem ou não podem ganhar as ruas.

Afinal, o que querem os brasileiros que seguem nas ruas? há quase tantas reivindicações diferentes quanto pessoas nas ruas.

É justamente esse um dos grandes desafios apresentados pelos protestos: o número de manifestantes em cada cidade é um só; mas quantas pessoas cada causa está efetivamente mobilizando? É verdade que essa é uma oportunidade única para o brasileiro manifestar seu descontentamento com certas situações, ou defender aquilo que ele acha correto. Mas, por outro lado, também é preciso estar atento, checar qual é o “pacote” que se está comprando, para não correr o risco de ser transformado em um número em favor de causas que não necessariamente são as suas. A liberdade de expressão não pode ser instrumentalizada.

Infelizmente, já existem movimentos e partidos tentando não apenas aproveitar os números gerais em favor de suas causas, mas também “privatizar” a pauta dos protestos, como se apenas eles pudessem decidir quais são as reivindicações legítimas e quais as que não deveriam ter espaço nas ruas.

A democracia realmente se fortalece não pela acumulação do número de manifestantes, nem pelo volume dos gritos de guerra, mas pelo diálogo, pela disposição de entender as opiniões alheias para construir as melhores propostas para o país. Esperamos que em Bento aqueles que participarem da manifestação neste sábado não se deixem instrumentalizar por militâncias alheias a suas convicções, e que estejam dispostos a manter abertos os canais de debate iniciados pela mobilização popular.

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