Discurso de Sartori na Assembleia tem muito haver com a gestão que todos esperam de um governo moderno, eficiente e responsável.

O discurso de Sartori na Assembleia Legislativa, que antecedeu a transmissão do cargo no Palácio Piratini nesta quinta-feira é uma cartilha que deveria ser seguida por todo o governo que tem compromisso com a sociedade: Leia:


"Além das autoridades citadas, minha gratidão a todos aqui presentes. Muito
obrigado aos meus grandes afetos: minha esposa Maria Helena, meus filhos Marcos e
Carolina, minha mãe Dona Elza e, em nome deles, meus demais familiares.

Agradeço acima de tudo a Deus, que dá sentido à nossa existência. Muito obrigado
também aos que trabalharam para que chegássemos até aqui. Muito obrigado a todos os gaúchos e a todas as gaúchas pela confiança e pelo incentivo.

[1. O fim e o começo de um ciclo]
O 1º de janeiro é uma data de encontro. É o Dia Mundial da Paz. É o Dia da
Fraternidade Universal.

O Rio Grande do Sul, neste 1º de janeiro de 2015, também vive um momento de
encontro. Encontro entre o Estado que já fomos, o Estado que somos e o Estado
que queremos ser.

Todas as histórias são feitas de ciclos: a história das nossas vidas, das nossas
famílias, das cidades, das civilizações... A história da economia, da política, da
cultura, dos costumes... Tudo muda. Tudo mudou.

Nosso Estado está diante de um desses grandes cruzamentos históricos. Do fim de um ciclo e do início de outro. À nossa frente, estão as opções: - ou paramos definitivamente no tempo, aceitando e nos conformando com os problemas – e, com isso, estagnamos;

- ou enfrentamos as pedras do caminho, somamos forças, dividimos responsabilidades, criamos um grande esforço conjunto – e, com isso,
progredimos. A estagnação costuma ser mais confortável no curto prazo, porque é enganosa. Ficar parado é mais fácil, nos deixa na zona de conforto.

Já o caminho do progresso é mais árduo, mais lutado, mais difícil. Exige um pacto com a verdade, exige conciliação, compartilhamento, compreensão. Exige fazer o que precisa ser feito (frase que repeti inúmeras vezes durante a campanha
eleitoral).

Nesses momentos, é preciso perceber o que deve ser resgatado, o que deve ser
mantido, o que envelheceu, e o que deve ser inovado.

[2. O Rio Grande que dá certo]
Então, não se trata de esquecer o passado. Eu não vim para rasgar a história! O
que quero é recolher dela as melhores lições.

O futuro também é feito de acúmulos, de identidades, de longas construções coletivas, de valores. Isso não envelhece nunca!

O Rio Grande do Sul tem um passado que nos orgulha! Se há bem pouco tempo
tínhamos os melhores índices de qualidade de vida do país, é porque acertamos
bastante ao longo da história.

É por isso que eu não aceito a visão derrotista do nosso Estado. Não aceito porque
as virtudes dos gaúchos e das gaúchas são muito maiores.

Basta olhar para a capacidade de trabalho da nossa gente, o vigor da agricultura familiar e do agronegócio, a competência da indústria, a versatilidade do setor de comércio e serviços, a força do cooperativismo, a vanguarda das universidades, o pioneirismo do ramo de tecnologia, a riqueza da nossa diversidade cultural, as nossas belezas naturais... Enfim, há um Rio Grande – muito grande! – que dá certo todos os dias na vida real.

[3. Mudança na atuação do Estado ]
Mas neste transcurso entre o passado e o futuro, precisamos reconhecer que o governo se distanciou da sociedade.

O povo gaúcho é vibrante, valoroso, ágil, inovador. O governo é distante, burocrático, normalmente lento e defasado. Vive em si, para si e por si. Não tem foco no cidadão. Foi perdendo a qualidade, a excelência, o primor que já
teve, a atenção com quem mais precisa.

Eu não estou criticando um setor, uma categoria, um grupo em específico. Sei do
esforço e da excelência da maior parte do nosso funcionalismo. Eu confio nos funcionários públicos gaúchos! Falo, isto sim, de um processo muito maior, pelo qual todos somos um pouco responsáveis. Falo de um tipo de governo e de um jeito de governar que se esgotou. E é no nosso tempo, agora, que esse ciclo está se
fechando. E ele não pode mais ser adiado.

Precisamos dar início a uma mudança ampla, profunda, larga e duradoura em todos os processos da gestão do governo.

Não podemos correr o risco de ser um Estado velho num mundo moderno. Precisamos sair da era do carimbo! Isso só vai acontecer com um olhar de prioridade, de simplicidade, de eficiência, de modernidade. Com um acompanhamento mais fino lá na ponta, perto do cidadão, onde a vida acontece.

A sociedade gaúcha olha para frente. O Estado precisa fazer o mesmo. Olhar para
frente e agir no agora. Ousar, evoluir. Inovar! Ter consciência do norte, do rumo, do sentido que queremos para o Rio Grande. Chorar menos e agir mais. 

Improvisar menos e planejar mais. Contemporizar menos e exigir mais. Falar menos e fazer mais. Sem vitimismo, mas também sem bairrismo. Com orgulho do que somos, mas com humildade para reconhecer nossas carências.

Gosto de uma frase escrita por navegador Amyr Klink. Ele diz: “Ao se caminhar para um objetivo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam fundamentais”. É preciso “decidir sem medo de errar”, completa ele.

É por isso que a simplicidade nos inspira. Não precisamos de um Estado complexo e genial, mas simples e eficiente.

Mais do que “inventar a roda” ou anunciar novidades, precisamos fazer melhor o que temos obrigação de fazer. E é disso, em especial, que nós vamos cuidar: de fazer o Estado ser melhor naquilo em que ele é mais importante para as pessoas, especialmente para quem mais precisa.

[4. Qualidade de vida como meta]
Falo de qualidade de vida para todos como nossa grande meta. Falo de combate à pobreza e à desigualdade.

Falo de uma educação melhor, de uma saúde melhor, de uma infraestrutura melhor, de um ambiente mais propício para quem quer gerar emprego e renda. Não podemos nos conformar com a constante degradação dos serviços públicos.

Precisamos rever todos os processos de gestão do Estado. Sair da teoria e olhar o serviço público com uma lupa, em busca de mais eficiência. Melhorar os indicadores em todas as áreas. Fazer melhor os serviços que já prestamos. Porque o Estado é isto: é o posto de saúde no nosso bairro, é o policiamento nas ruas, é o professor do nosso filho, é a água na nossa torneira, é a luz na nossa casa, é a
estrada pela qual nós viajamos, é o atendimento nas repartições públicas...

Vamos cortar gastos, sem dúvida, mas os gastos ruins, os desnecessários, os supérfluos. Fazer políticas sociais, ou seja, gastar nas pessoas, especialmente nas que mais precisam – repito –, não é gasto. É investimento! É investimento no que nós temos de mais precioso, que é o ser humano.

Mas precisamos também fazer entrar mais dinheiro no caixa através do desenvolvimento. Do desenvolvimento sustentável! O Rio Grande do Sul já avançou muito nesse sentido, mas podemos ir além.

Nosso Estado tem vocação para ser uma espécie de Vale do Silício do empreendedorismo, da livre iniciativa, da geração de oportunidades e, por consequência, da justiça social.

Para isso, é necessário destravar caminhos, desburocratizar, agilizar processos, adotar práticas modernas de atendimento, ser receptivos a quem aqui quer investir e gerar emprego e renda. Criar um clima propício, amigável e convidativo para os empreendedores. Banir preconceitos e, dentro da lei, ampliar o leque de parcerias entre o setor público e a iniciativa privada.

[5. Crise financeira]
E as finanças? Elas são um grave problema, um enorme problema, mas não são uma causa em si mesma. A crise financeira do Estado, também ela, é consequência
dessa degradação do setor público como um todo.

Isso reflete o pensamento arcaico de que é possível gastar mais do que se arrecada. Quando um estado ou um país se endivida de forma insustentável, compromete as gerações futuras.

Precisamos superar essa visão, aplicando os recursos públicos com responsabilidade, de forma sustentável, evitando o desperdício e colocando o Estado a serviço do desenvolvimento – e não de si mesmo.

Não dispomos mais dos remédios usados em outras épocas: a inflação, as privatizações, o caixa único, os depósitos judiciais, os empréstimos... Precisaremos ser criativos e, ao mesmo tempo, muito realistas.

Nos próximos dias, vamos adotar as primeiras medidas concretas para enfrentar e começar a reverter a crise que temos pela frente. Serão medidas duras, difíceis, mas inadiáveis e fundamentais,

E vamos fazer isso com espírito público, em respeito à população gaúcha, sempre priorizando os que mais precisam do Estado. Vamos, também, propor o debate e soluções para um novo pacto federativo.

O Rio Grande não pode ser penalizado por ter uma economia pujante, que gera divisas para o país. Tenho certeza de que esta será uma construção em alto nível e com a compreensão republicana da presidente Dilma Rousseff, que fez a vida entre nós.

Vamos conversar com o povo gaúcho sobre a crise financeira de uma maneira transparente e tranquila. Temos o dever de informar, e a sociedade tem o direito de saber – esse e todos os pontos do governo. Uma gestão honesta não se faz com promessas, mas com a coragem de dizer a verdade para a sociedade.

Mas, apesar das dificuldades momentâneas, vejo o nosso futuro com grande otimismo. Como eu já referi, eu acredito na força produtiva do nosso Estado e, principalmente, na capacidade da nossa gente.

Nossa fronteira de expansão econômica é ampla: podemos melhorar muito a nossa competitividade, a nossa produtividade e todos os nossos indicadores.

O Estado que queremos é um estado parceiro desse esforço de construção econômica e social. Por isso, precisamos preparar as condições para que ali, mais adiante, tenhamos um Estado parceiro dos empreendedores e da sociedade, que ajude o desenvolvimento e a inclusão social.

[6. Um novo tipo de relacionamento com a sociedade]
O Rio Grande tem um grande futuro, mas precisa de medidas corajosas no presente para chegar lá. Estou aqui para isso. Esta é a minha missão. Sei que ela não se conclui apenas em um governo. Mas tenham certeza: eu sei o tamanho da minha responsabilidade e quero plantar a semente dessas mudanças.

Isso só vai ser possível através da parceria, a começar pela parceria desta Casa (onde também construí minha trajetória). Eu valorizo muito o papel da Assembleia Legislativa. Os deputados e as deputadas serão fundamentais diante dos grande desafios que teremos pela frente.

Também conto com a parceria dos demais poderes, das entidades representativas, dos sindicatos, dos formadores de opinião, enfim, de todos os gaúchos e as gaúchas.

Uma palavra aos municípios (eu que também fui prefeito). O Rio Grande do Sul é a
soma de suas localidades. E se o município vai bem, o Estado vai bem. Portanto, o que for bom para os municípios, será bom para o Estado. Tenho certeza de que vamos trabalhar muito afinados.

Quero inaugurar uma nova forma de relacionamento com a comunidade. Afinal, é isto que somos: uma comunidade.

O Rio Grande do Sul é nosso, é de todos. E o grande protagonista da vida é a sociedade, não o governo. Nós estamos dispostos a liderar o processo e a apontar os caminhos. Não fugimos das nossas responsabilidades, mas precisamos da parceria de todos.

O caixa público é um só. O dinheiro que vai para um lado faltará no outro. É por isso que eu serei sempre muito franco, sem promessas irresponsáveis. É por isso também que nós precisamos pensar e agir como parceiros de uma mesma comunidade, e não como adversários.

O nosso Rio Grande do Sul precisa ser o Estado da qualidade de vida! Essa é a nossa grande meta! E tenho certeza de que, com a colaboração recíproca, com a cooperação social, nós vamos chegar lá!

Juntos, a gente faz acontecer!

Todos por todos!

E que Deus nos proteja! Muito obrigado!"

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