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Moro será ministro do STF

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo que vai indicar o ministro da Justiça, Sergio Moro, para a próxima vaga disponível no Supremo Tribunal Federal (STF). “Fiz um compromisso porque ele abriu mão de 22 anos de magistratura. Eu falei: a primeira vaga que tiver lá está à sua disposição. Acho que a nação toda do Brasil vai aplaudir um homem desse perfil no Supremo”, disse. O ministro Celso de Mello, decano do STF, vai se aposentar em novembro do ano que vem. O anúncio de Bolsonaro ocorre dias depois de Moro sofrer um revés no Congresso, que aprovou a transferência do Coaf para o Ministério da Economia.

Apesar de não ser tão surpresa assim, o anúncio de Bolsonaro deixa Moro em situação constrangedora, dá impressão que é uma compensação. 

Moro terá de esperar até novembro de 2020, quando o decano Celso de Mello atinge a idade limite para aposentadoria compulsória. A outra vaga será aberta em julho de 2021, quando Marco Aurélio Mello completa 75 anos.

A verdade é que Moro tem dado sinais de que não está confortável no cargo que ocupa. Não é político, e não tem se adaptado tão facilmente assim ao jogo político. Acostumado a dar ordens e a decidir o futuro dos réus que julgou em sua passagem por Curitiba, o ministro sofre com as confusões internas no governo e com o boicote do Congresso a seu pacote anticrime. No decreto das armas, Bolsonaro fez mudanças sem consultar o ministro, depois de ele ter aprovado uma versão mais branda. Perder o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Economia, por exemplo, poderia ser uma questão menor, já que o governo é o mesmo, não fosse sua convicção de que a mudança é essencial para o combate aos crimes de colarinho branco. São exemplos que o jogo político exige de alguém que não tem tanto "jogo de cintura" assim.

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