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Com mais de 30.000 obras inacabadas,governo prioriza o término de 1.600, e gasta mal em outras coisas

Ao anunciar esta semana que o governo federal vai retomar obras paralisadas do PAC, o presidente Michel Temer dá mais uma cartada política com o objetivo de vender a imagem de um governo que começa a recuperar sua capacidade de investimento. Olhado com mais detalhes, conclui-se que se trata de um plano modesto. Dos mais de 30.000 empreendimentos paralisados em todo o país, o Governo decidiu que até o fim de 2018 irá concluir pouco mais de 5% deles: 1.600 construções. As principais obras a serem retomadas serão creches e pré-escolas, unidades básicas de saúde e outras na área de saneamento. Há ainda reformas em três terminais de passageiros nos aeroportos de Ilhéus (BA), Londrina (PR) e Marabá (PA). “Priorizamos o que podemos concluir nesta gestão”, afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Ok, compreensível, se não fosse outras notícias decepcionantes, como no caso de uma solenidade nesta segunda-feira que custou R$ 611 mil reais. O valor foi gasto sem licitação na montagem e execução do evento da Ordem do Mérito Cultural que teve como a principal homenageada a sambista carioca Ivone Lara, de 95 anos. A empresa beneficiada com os recursos foi a Treco Produções Artísticas Ltda. A principal apresentação deste ano foi o cantor Neguinho da Beija Flor. A cantora Fafá de Belém recebeu 15.000 reais, inclusos nesse valor global, apenas para interpretar o hino nacional na abertura do evento. A justificativa para a dispensa de licitação nos dois casos foi a “contratação de artistas consagrados pela crítica especializada e/ou opinião pública”. No ano passado, ainda na gestão Dilma Rousseff (PT), o mesmo evento custou 1,1 milhão de reais e teve a apresentação de Caetano Veloso. Na atual edição, havia o temor de que os representantes da classe cultural fizessem um protesto contra o presidente Michel Temer (PMDB), o que não ocorreu. Considerando-se a penúria do Tesouro e a estatura moral dos seus aliados, os fatos são antagônicos. Mas, de qualquer forma, para alguns municípios, a retomada de obras paralisadas pela desistência de empresas que ficaram sem receber do governo federal é uma boa notícia. 

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