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Semana termina com a maior crise política da história brasileira

Já li, analisei e busquei entender uma série de comentários sobre a polêmica lista de Fachin, composta por dezenas de autoridades que serão investigadas por corrupção no Supremo Tribunal Federal. Trata-se de um processo que expõe todo o sistema político-partidário do País. Juridicamente, estar na lista significa que tanto a Procuradoria Geral da República quanto o relator da Lava Jato, Edson Fachin, consideraram que há indícios para investigar a participação dos citados em esquemas de corrupção. Ao incluir alguém na lista, Fachin está autorizando o procurador-geral a investigá-lo. Nesta fase, acusação busca novas provas para subsidiar uma eventual denúncia. Se o STF aceitar a denúncia, o citado vira réu e vai a julgamento. A lista, baseada nas delações de 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht, é ampla e seus desdobramentos colocam o sistema político-partidário no fundo do poço. O sentimento nacional é de que não escapou ninguém, que todos os políticos brasileiros graduados são desonestos. Mas é preciso cuidado. O julgamento antecipado da opinião pública é mais devastador ainda. Acho que novamente a divulgação dos nomes não poderia ter sido feita em bloco, misturando situações diferentes, algumas até já imunes a condenações. Um erro que irreparável. Tem políticos que receberam dinheiro sujo do partido, sem mesmo saber quem era o financiador. Talvez tenham sabido meses depois de terem sido eleitos. Mas a época da eleição não. Não cabe no mesmo balaio quem recebeu e escondeu dinheiro no Exterior, embolsou propina no esquema da Petrobras, com quem recebeu ajuda de empreiteira, sem fonte tendo declarado, oficialmente, em suas prestações de contas à justiça eleitoral. Misturaram gente que será inocentada nas investigações com aqueles que merecem penas longas de prisão, bandidos de fato. Um prejuízo político irreversível. Exemplo:. O caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Citam apoio à campanha dele de 1994, há 23 anos. Impossível de se apurar e completamente impossível de se punir, pois são crimes amplamente prescritos – se tiverem ocorrido. A denúncia serviu apenas para melar mais o ambiente político e para dar cobertura a ex-presidentes recentes, como Lula e Dilma, que momentaneamente passam a ser citados ao lado de FHC.

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