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Delação dos irmãos Batista é nitroglicerina contra Temer

Os donos da empresa JBS, Joesley Batista e o seu irmão Wesley Batista, disseram ter gravado uma conversa na qual o presidente Michel Temer teria dado aval a propina para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As informações foram reveladas pelo jornal O Globo nesta quarta, no inicio da noite. A gravação, feita por Joesley em março com um gravador guardado no bolso do paletó, faria parte de declaração que os controladores da JBS deram à Procuradoria-Geral da República em abril durante o processo para firmar acordo de delação premiada.

O Globo (colunista Lauro Jardim) classificou como uma bomba atômica que cai sobre o país. De fato, a denúncia é muito grave. Mas não é só Temer que está em maus lençóis. Aécio Neves também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG). Significa que os diálogos e as entregas de malas (ou mochilas) com dinheiro foram filmadas pela PF.

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES. Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Segundo o jornal, ao mesmo tempo em que delatava no Brasil, para a PGR, a JBS mandatou o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe para tentar um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ). Fechá-lo é fundamental para o futuro do grupo dos irmãos Batista.

A delação premiada que fizeram, com poder de destruição igual ou maior que a da Odebrecht coloca em cheque Temer e poderá mergulhar o país em nova crise econômica. Diante do ministro Fachin, a quem cabe homologar a delação, os delatores confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.

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