Delação de Antonio Palocci põe TV Globo na mira da Lava Jato



Com uma reportagem de mais de 15 minutos exibida em horário nobre neste domingo, a Record parece ter declarado guerra à rede Globo. O trabalho, exibido no programa "Domingo Espetacular" relata sobre uma série de negociatas da emissora carioca, incluindo um milionário esquema de evasão de divisas e sonegação de impostos durante a Copa do Mundo de 2002. O ponto de partida da reportagem é uma suposta delação negociada pelo ex-ministro Antonio Palocci. A reportagem da Record mostra como a Globo se beneficiou de um esquema de sonegação fiscal, usou empresas de fachada em paraísos fiscais e recebeu uma série de benesses federais. De acordo a reportagem, a televisão da família Marinho também estaria agindo para impedir a concretização da delação de Palocci. A mulher de Palocci, Margareth, estaria incentivando-o a contar tudo que sabe. Recentemente ele trocou de advogados e as notícias de que o ex-ministro pode comprometer a TV Globo ganhou força. Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, Palocci promete contar tudo que sabe. No depoimento em abril, Palocci contou a Moro sobre empresas de grande porto do Brasil que estavam para entrar em falência e que poderia ser de grande repercussão. Uma dessas empresas de comunicação teve problemas sérios nesse período. No início dos anos 2000, a TV Globo quase quebrou por causa de maus negócios ligados à Copa do Mundo de 2002. Bilhões de reais ingressam nos cofres da Globo por causa do mundial, parceria da emissora com a Fifa há quase 20 anos. Segundo a Receita Federal, a Globo fez uma operação ilegal nesta época utilizando uma empresa de nome Empire, para comprar os direitos de transmissão dos jogos. 

A investigação sobre o caso começou em 2005 e só foi revelada em 2013 pelo jornalista Miguel do Rosário. Usando “empresas de papel”, a Globo enviou dinheiro para o Uruguai, depois para Caribe, e também para a Holanda. Lá, a emissora comprou direitos de transmissão para a Copa e transferiu para a Empire, nas ilhas virgens Britânicas, local conhecido por ser esconderijo de dinheiro sujo. Segundo a Receita, a Globo simulou investimentos para criar a Empire, como se fosse empresa de verdade, mas era só fachada. Depois da Copa, a empresa foi dissolvida e seus bens foram transferidos para a Globo, que deixou de pagar R$ 170 milhões de impostos no Brasil. Quando a história veio à tona, na véspera de o processo ser remetido ao Ministério Público Federal, a servidora Cristina Maris Ribeiro furtou os documentos e depois foi condenada a quatro anos de prisão (dos quais só passou uma semana na cadeia). “Ao não chegar no MP, não se torna a investigação de ordem criminal, o que poderia ser um constrangimento muito grande para a família Marinho, inclusive política”, afirma o jornalista Miguel do Rosário. Anos depois, em 2014, a Globo se beneficiou da lei 12.996 para refinanciar sua dívida, que já estava em R$ 1 bilhão – mas também deixou de pagar outro R$ 1 bilhão em multas.

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