Roubo

O negócio feito pela Petrobras com a empresa belga Astra Oil (aliás, dirigida por um ex-funcionário seu, como informa a imprensa) é inexplicável sob qualquer aspecto e para qualquer pessoa, com a exceção talvez da Velhinha de Taubaté, aquela parente do Luis Fernando Verissimo que é a única pessoa do país que acredita no que diz o governo.Três perguntas apenas: o Conselho de Administração da Petrobras aprova o negócio baseado apenas em um resumo executivo do diretor internacional, Nestor Cerveró? Resumo, aliás, que era – segundo alega a então presidente do Conselho – tecnicamente falho e incompleto? O tal exército de advogados, analistas, assessores, técnicos e consultores não estudou o negócio antes que ele chegasse ao Conselho? Se estudou, a que conclusões chegou? Se achou que era um bom negócio, como se explicaria que, quando a Petrobras tentou se livrar da refinaria, vendendo-a, só recebeu uma proposta de US$ 180 milhões pela empresa toda? E, depois que saiu do Conselho e teve de ser materializado em contratos internacionais, ninguém se preocupou com as tais cláusulas antes que os mesmos fossem firmados?Terceira: o tal Nestor Cerveró, que teria omitido da alta direção da empresa dois “detalhes” que vieram a lhe causar um prejuízo próximo de US$ 1 bilhão sofreu alguma sanção? Denunciado à CVM? Processado? Preso por tão estranha omissão? Ou é verdade que, depois de feito o negócio, deixou a diretoria da Petrobras... para assumir a direção financeira da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, demonstrando que continuava a gozar da confiança da empresa e de seus dirigentes? Pra mim isso tudo tem outro nome: Roubo!Aliás, A lei prevê expressamente que o ato do presidente da República que atente contra "a guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos" é crime de responsabilidade e pode resultar na perda do cargo. Há cerca de 20 anos, um presidente da República perdeu o cargo por muito menos que uma refinaria, em um caso de corrupção cem vezes menos lesivo que o mensalão. O silêncio do Ministério Público, último bastião do Estado democrático, preocupa.

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