Quem são os donos das ruas de uma cidade?

ARTIGO - Cristiano Lange dos Santos

A rua tem como simbolismo ser um espaço democrático do encontro, sem o qual não existiriam os demais, trata- se do caminho que converge para qualquer outro local. É quase um sinônimo do “púlico”. Por isso, o fenôeno da privatizaçã do espaç púlico pela ocupaçã das ruas por automóeis individuais precisa ser discutido urgentemente, assim como os priviléios de quem usa o carro sem limites nas cidades.

A corajosa decisão da Prefeitura de São Paulo de criar mais 400 quilômetros de ciclovias ou faixas exclusivas para bicicletas, removendo 40 mil vagas de estacionamento, anima quem defende um novo modelo de mobilidade urbana sustentável, pois reacende o debate sobre a tomada das vias pelos veículos.
Vale ressaltar que, se em movimento os carros provocam sérios danos à cidade (como poluição sonora e emissão de gases), parados também violam a democratização desse espaço público por excelência.

Com uma frota de 710.224 automóveis para uma população de 1.409.939 de habitantes, Porto Alegre fica atrás apenas de Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo. Nossa Capital é a quarta do país com maior taxa de motorização (533 carros por mil habitantes). Colocada em linha reta, essa frota atingiria 2,8 mil quilômetros, extensão total das vias de Porto Alegre, ou a distância até a cidade de Palmas, no Tocantins. Já em extensão (cada carro tem cerca de seis metros quadrados), chegaria ao equivalente a 630 campos de futebol.

É importante entender que o espaço público, especialmente as vias de circulação, pertence a todos, indistintamente, com ou sem carro – a prioridade, entretanto, será sempre do pedestre, como estabelece o Código de Trânsito.

Enrique Peñalosa, quando prefeito de Bogotá (capital da Colômbia), afirmou que “estacionamento na rua não é um direito constitucional”. De fato, viola o direito à cidade; mercadoriza o espaço público. Desta forma, a coragem para mudar a atual perspectiva rodoviarista demonstrada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) pode ser fundamental para que possamos reconquistar o espaço público tomado pelos automóveis.

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