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Olímpiadas

O Rio vai viver sua Olimpíada. As televisões não falam de outra coisa. O Brasil (quase) parou. Claro que não a deveríamos ter feito. É cara demais, para nossas carências tantas. Mas ela está posta, não dá para mudar a realidade. E aproveito esse momento para imaginar como os estrangeiros nos verão. Os estrangeiros chegam já prevenidos. Pela insegurança. Por gente pedindo esmolas. E nossa improvisação ancestral faz com que tudo seja feito sempre na última hora. Ocorre que, por trás dessa visão aparentemente isenta, está a soberba. A crença míope de que eles são melhores que nós (e todos os demais países não desenvolvidos do planeta). Mas há outra pergunta que devemos fazer. E como nós nos vemos? eis a questão. Fernando Pessoa acreditava que os países têm alma. Bem sei que vivemos em meio às investigações do maior sistema de corrupção do planeta. E tudo se passa às vésperas do impeachment que vai devolver para Porto Alegre aquela que, na imagem concebida por João Santana, seria um coração valente. Penso que veremos essas Olimpíadas com enorme orgulho, pois se temos alma, ela fará a diferença. Lamentaremos ter poucas medalhas, claro. Mas já estamos acostumados. E tudo vai correr bem. Muito bem. Por incrível que pareça.

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