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Delatores cara de pau


Emílio Odebrecht ficou bilionário montado num esquema de corrupção, como a empresa admite. É incrível que, tendo engordado o bolso com dinheiro que deveria estar nos cofres públicos, se sinta confortável em opinar sobre o trabalho dos jornalistas. O mais incrível ainda é a posição dos delatores, que contam tudo e esperam, depois da confissão, voltar para casa e curtir a família e a vida. Foi o que disse na semana passada Hilberto Mascarenhas Silva, o chefe do departamento criado pela Odebrecht para controlar os repasses ilegais. Hilberto Silva, nem pensa em trabalhar depois de pagar a sua pena e tirar a tornozeleira eletrônica. “Eu quero curtir a minha vida quando vocês tirarem esse negócio do meu pé e eu puder viajar, curtir o que eu, os 40 anos que eu trabalhei que tô pra justificar o que eu vou fazer agora”, disse. Ora, 40 anos de corrupção! Outro dia, Paulinho da Força, o deputado que criou o partido Solidariedade, soube que estava na lista de políticos que serão investigados por receber propina da Odebrecht e disparou: “Não tem clima de problema, não, o pessoal está até brincando: ‘Você tá na lista?’, ‘Você tá na lista?’.” “Quem não apareceu está sendo considerado desprestigiado”, disse. 

No Rio de Janeiro, em gravação telefônica grampeada pela polícia, Sérgio Côrtes, ex-secretário de Saúde do Rio no governo de Sérgio Cabral, aparece tentando combinar uma delação premiada para proteger parte da grana desviada dos hospitais cariocas. O que ele disse em conversa com um delator da operação Lava Jato:“O Mirza [FLÁVIO MIRZA] falou: Eu posso advogar pra vocês dois porque vocês não vão contar histórias díspares… entendeu, então… vocês vão delatar a mesma coisa, as mesmas histórias, as mesmas coisas, que é o que a gente vai combinar, entendeu… de grana, não vamos dizer o que a gente recebeu… se não fudeu… porque é o que a gente tem que devolver.

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