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Vou ser candidato em 2018, diz Lula a Moro

Lula admitiu que visitou o tríplex uma única vez. Colocou toda a responsabilidade na conta da Marisa Letícia, sua mulher falecida. Coitada da Dona Marisa! Morto não fala. Lula foi perfeito. Entrou com a presunção de inocente, e saiu com a presunção de inocente. Lula exibiu suas habilidades na batalha de Curitiba. Começou de guarda fechada à espera de oportunidades para encaixar seus golpes. Para não abrir o flanco, diante de perguntas incômodas de Sérgio Moro, adotou uma postura humilde, parecia inseguro, e deu respostas simples. Transpareceu sinceridade e honestidade. Assim, de esquiva em esquiva, tentou emplacar a versão de que o tríplex do Guarujá, antes de se tornar um escândalo, era um assunto que ele mal ouviu falar, inclusive em casa. Lula foi muito bem instruído, preparado e foi muito inteligente. Em uma sequência de perguntas sobre suas conversas com o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, sobre a compra do tríplex, Lula desdenhou do apartamento. Foi além. Disse que não falou sobre reforma do tríplex com ninguém. E comparou Léo Pinheiro, responsável pela negociação de contratos bilionários, a um corretor de imóveis. “Como todo vendedor de imóveis, ele fez de tudo para vender o apartamento”. Na mesma linha de “não sei de nada, ninguém me contou”, Lula disse que só soube de corrupção na Petrobras pela Operação Lava Jato. Mas se enrolou ao dar sua versão sobre a conversa que manteve com Renato Duque, operador do PT na diretoria da Petrobras, em um hangar no aeroporto de Congonhas. Durante as suas declarações finais, o ex-presidente Lula aproveitou praticamente todo o tempo para falar sobre suas conquistas políticas e se colocar como vítima de ataques da imprensa e dos procuradores que o denunciaram por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP). Em pelo menos três momentos diferentes, o juiz Sergio Moro ficou incomodado com o discurso político do petista e o interrompeu para afirmar que aquele espaço não era destinado a palanque. Na parte final, ocorreu o momento de maior tensão entre Lula e Moro — o petista se virou para o juiz e reclamou de duas decisões tomadas por ele na Lava Jato, a de liberar os áudios de conversas telefônicas entre ele e a mulher, Marisa Letícia, e a de decretar a sua condução coercitiva na 24ª fase da Operação. Lula continua fazendo sua pose predileta —a pose de vítima. Lula acha que é uma coisa. Mas sua reputação já é outra.

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