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Lula adotou linha de agressão ao tribunal


Lula peitou o tribunal. Foi arrogante, desrespeitoso, e tergiversou. O juiz Sérgio Moro foi complacente e decidiu não prendê-lo. Lula também xingou Palocci,chamando-o de "frio, calculista e dissimulador". Disse que Palocci mentiu. “Uma coisa quase cinematográfica, quase que feita por roteirista da Globo, sabe?”, disse. Moro também demonstrou mais irritação com Lula do que na primeira vez em que se encontraram, em maio, durante interrogatório do processo do tríplex. Foi mais insistente ao ponto de irritar o ex-presidente com algo que já tinha ficado claro, ao se referir ao pagamento de aluguel de um imóvel. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o apartamento – que é vizinho ao imóvel onde mora Lula – teria sido adquirido pelo ex-presidente em nome de um laranja, o aposentado Glaucos da Costamarques. Em seguida, a ex-primeira dama, Marisa Letícia, teria firmado um contrato de locação fictício com Glaucos. Lula usa o imóvel até hoje, para reuniões políticas.

Quase no fim do depoimento, Lula disse a Moro: “Vou terminar fazendo uma pergunta o para o senhor. Vou chegar amanhã em casa e almoçar com meus oito netos e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que fui prestar depoimento a um juiz imparcial?” Contrariado, Moro respondeu: “Primeiro, não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta a mim. Mas, de todo modo, [a resposta é] sim”.

Lula rebateu: “Porque não foi esse o procedimento na outra ação [do tríplex do Guarujá]”. Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão.

“Não vou discutir aquele processo aqui”, retrucou o juiz, que afirmou que o local adequado para o ex-presidente questionar a decisão sobre o tríplex é o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). E então Moro encerrou o depoimento.

Um pouco antes de questionar a parcialidade do juiz, Lula também disse que Moro e os demais integrantes da Lava Jato se tornaram prisioneiros da imprensa. “A imprensa aprisionou vocês”, disse o ex-presidente. O argumento de que Moro e a operação haviam se tornado refém da mídia já havia sido usado por Lula no primeiro interrogatório: se a Lava Jato “desagradar” à imprensa, serão “perseguidos” pelas manchetes de jornais – e isso os colocaria contra a parede e com a “obrigação” de provar as “mentiras” que inventaram, acusando e condenando pessoas inocentes.

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