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Comissão da Câmara analisa a partir de hoje 2ª denúncia contra presidente

O presidente Michel Temer (PMDB) enviou uma carta a deputados e senadores da base aliada para tentar se livrar da segunda denúncia contra ele feita por Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República. Ele se diz vítima de uma conspiração: “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”.

A carta de Temer aos deputados é uma confissão de desespero, de medo, um sinal de que a situação na Câmara realmente piorou muito para ele com a delação de Lúcio Funaro. Ao dirigir-se apenas aos parlamentares, que votarão contra ou a favor da aceitação da segunda denúncia de Rodrigo Janot, Temer joga mais uma vez duro com quem não está ao seu lado. Tem feito isso ultimamente com manobras muito danosas ao povo brasileiro, como a suspensão do repasse de recursos de obras em vários municípios que estão sendo financiadas com recursos oriundos de emendas parlamentares. Ao retaliar alguns deputados,Temer revela mais uma vez seu profundo desprezo pelo povo brasileiro.

Temer denuncia uma conspiração para derrubá-lo da Presidência, ataca Janot, Marcello Miller e Lucio Funaro e apoia-se em Eduardo Cunha, destacando ter ele dito em entrevista que não teve o silêncio comprado por Joesley Batista. Chega a solidarizar-se com Cunha, dizendo que ele teve a delação recusada porque se recusou a falar contra ele, Temer. Como diria Joesley, Temer e Cunha “estão de bem”. Mas sobre organização criminosa, nenhuma palavra. Nada sobre as propinas que Funaro o acusou de ter recebido, em negócios que envolveram outros caciques do PMDB, na área de portos, na CEF, na Ministério da Agricultura.

Temer termina a carta professando crença na pacificação dos brasileiros, no diálogo, na solidariedade. Palavras vazias, que não têm a menor base na prática de seu governo perseguidor.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara começa hoje a discutir o tema. O relator do caso, Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), recomenda a rejeição da acusação. Após a análise da CCJ, o plenário decidirá se envia o caso para o STF.

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