Janot diz que foi armado ao STF para matar Gilmar Mendes e depois iria se matar

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Prestes a ver lançado o livro “Nada menos que tudo”, escrito pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot decidiu fazer jus ao título da biografia. Em entrevista à revista Veja, o ex-chefe do Ministério Público Federal revelou não só como esteve prestes a atirar no desafeto Gilmar Mendes em um dos momentos de maior tensão na relação sempre conturbada com o ministro do Supremo tribunal Federal (STF) , mas revelou tentativas de cooptação do então senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do recém-alçado à Presidência Michel Temer (MDB). A entrevista é bombástica, mas revela desequilíbrio e certa loucura. 

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, chegou a ir armado para uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. “Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar”, afirmou Janot.

Em maio de 2017, Janot, na condição de chefe do Ministério Público Federal, pediu o impedimento de Mendes na análise de um habeas corpus de Eike Batista, com o argumento de que a mulher do ministro, Guiomar Mendes, atuava no escritório Sérgio Bermudes, que advogava para o empresário.

Ao se defender em ofício à então presidente do STF, Gilmar Mendes afirmou que a filha de Janot – Letícia Ladeira Monteiro de Barros – advogava para a empreiteira OAS em processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo o ministro, a filha do ex-PGR poderia na época “ser credora por honorários advocatícios de pessoas jurídicas envolvidas na Lava Jato”.

“Foi logo depois que eu apresentei a sessão (…) de suspeição dele no caso do Eike. Aí ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal… e aí eu saí do sério”, afirmou o ex-procurador-geral.

Janot disse que foi ao Supremo armado, antes da sessão, e encontrou Gilmar Mendes na antessala do cafezinho da Corte. “Ele estava sozinho”, disse. “Mas foi a mão de Deus. Foi a mão de Deus”, repetiu o procurador ao justificar por que não concretizou a intenção. “Cheguei a entrar no Supremo (com essa intenção)”, relatou. “Ele estava na sala, na entrada da sala de sessão. Eu vi, olhei, e aí veio uma ‘mão’ mesmo”.

O ex-procurador-geral disse que estava se sentindo mal e pediu para o vice-procurador-geral da República o substituir na sessão do Supremo. A cena descrita acima não está narrada em detalhes no livro Nada menos que tudo (Editora Planeta), no qual relata sua atuação no comando da Operação Lava Jato. Janot alega que narrou a cena, mas “sem dar nome aos bois”.

O ex-procurador-geral da República diz que sua relação com Gilmar Mendes já não era boa até esse episódio, mas depois cortou contatos. “Eu sou um sujeito que não se incomoda de apanhar. Pode me bater à vontade… Eu tenho uma filha, se você for pai…”

Palocci
Janot também relata como, nas negociações com o ex-ministro Antonio Palocci, que havia participado das equipes dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o médico transformado em figurão petista prometeu “entregar” cinco ministros do STF.

“Na primeira vez em que o ex-ministro Antonio Palocci tentou fechar uma delação com a gente, disse que iria entregar cinco ministros do STF. Ele citou a Rosa Weber, o Luiz Fux, o Fachin, mas era igual a biscoito de polvilho, só fazia barulho. Da Rosa Weber ele disse apenas que o marido dela era amigo do ex-marido da Dilma. Disse também que o Fux ia matar no peito e inocentar os petistas no julgamento do mensalão. Do Fachin, dizia que tinha amizade com não sei quem. Tudo bobagem”, relatou Janot na entrevista à revista.

“Foi nessa mesma época que um ministro do Supremo me procurou para saber se ele estava sendo investigado. Com lágrimas nos olhos, disse que a mãe dele não suportaria vê-lo na condição de investigado. Não tinha fundamento nenhum”, prossegue o ex-procurador, que não identificou o nome do ministro.

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