Prefeitos da Serra mostram inconformidade com aumento de restrições

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O primeiro dia de bandeira vermelha na Serra, dentro dos critérios estabelecidos pelo modelo de distanciamento controlado do governo do Estado, é marcado pelo clima de revolta entre os prefeitos da região. Ainda que a maioria das cidades tenha aumentado as restrições para abertura do comércio e dos serviços nesta segunda-feira (15), acatando decisão do Palácio Piratini, a região também teve prefeituras que decidiram não fechar os estabelecimentos.

Às 18h, prefeitos da Serra deverão se reunir com o governador Eduardo Leite para discutir a situação da região. O presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e prefeito de Cotiporã, José Carlos Breda (PP), avalia que faltou diálogo por parte do governo do Estado para conduzir a mudança de status, migrando da bandeira laranja para a vermelha. O dirigente avalia que não era necessária uma ação tão rigorosa, já que há leitos de UTI disponíveis e muitos municípios têm capacidade para reforçar a estrutura.

— O governador descontentou todos os prefeitos com que nós falamos nas últimas horas. Ninguém gostou. Também tivemos uma reunião com líderes empresariais de toda a região e o pessoal ficou muito chateado e perplexo com a forma não republicana que o nosso governador tratou a nossa região — afirma.

Maior cidade da região, Caxias do Sul teve até protesto de donos de restaurantes em frente da prefeitura na manhã desta segunda. O presidente do Sindicato Empresarial de Gastronomia e Hotelaria (SEGH) da Região Uva e Vinho, Vicente Perini, solicitou ao prefeito Flavio Cassina (PTB) que intervenha junto a Leite para garantir o funcionamento dos estabelecimentos.

— Não temos mais condições de parar, e não temos mais ajuda dos governos para segurar funcionários — afirma Perini.

Diante da discordância em relação à adoção das regras mais restritivas, parcela dos empresários de Caxias preferiu aguardar uma decisão mais concreta para decidir se interrompe ou não as atividades. A maior parte das salas comerciais no centro da cidade estava com as grades abaixadas e o fluxo de pessoas era pequeno, mas algumas lojas decidiram abrir pela manhã. Entre funcionários do comércio era perceptível a preocupação e a surpresa com relação à mudança de bandeira.

No início da tarde, Cassina encaminhou ofício a Leite pedindo a revisão da inclusão da Serra na bandeira vermelha. O prefeito cita medidas tomadas por Caxias para melhorar o sistema de saúde, pede colaboração do Estado no reforço do Sistema Único de Saúde (SUS) e sugere mudanças nos critérios utilizados para determinar o controle do distanciamento. Outro pedido foi a subdivisão da Serra em três regiões: Hortênsias, Uva e Vinho e Campos de Cima da Serra.

“Não podemos aceitar que novamente o comércio e os serviços sejam os segmentos mais prejudicados, e muito menos permitir que esses setores não consigam retomar suas atividades, mesmo que lentamente. Nosso município não olvidará esforços para que sejam mantidas as medidas de controle para o distanciamento social, mas de uma forma mais justa”, diz trecho do ofício.

Já em Vacaria, se depender do prefeito Amadeu Boeira (PSDB), a cidade seguirá cumprindo as determinações da bandeira laranja, que vigorou até domingo. O município optou por manter os estabelecimentos abertos.

— Não vamos fechar. Estamos fazendo ofícios para enviar ao governador, temos que continuar trabalhando, mantendo as regras que já vem sendo cumpridas — aponta, ao explicar que a prefeitura pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão.

Em Farroupilha, o comércio também amanheceu aberto, com movimentação semelhante à verificada nas últimas semanas. O prefeito Pedro Pedrozo (PSB) nega que a prefeitura tenha orientado os comerciantes a abrir e ressalta que, neste momento, é a decisão do governo do Estado que está em vigor. No entanto, ele discorda da bandeira vermelha e afirma que o município vai tentar reverter as restrições.

— O município não vai fazer decreto porque não há como fazer decreto que sobreponha o do Estado. Nós não estamos descumprindo, estamos contestando. É diferente. Vamos provar para o governo que o remédio foi muito amargo. O lojista não consegue mais ficar fechado 15 dias, senão deixa de existir — defende Pedrozo.

O prefeito de Antônio Prado, Juarez Santinon (MDB), também manifestou que vai contestar a decisão junto ao Piratini. A prefeitura acatará as medidas de fechamento, mas a intenção é reverter o quadro.

— Não somos contra ao distanciamento controlado, mas a mudança do governo do Estado faz com que a gente fique revoltado. Temos 74% dos leitos de UTI ocupados, com critérios anteriores estaríamos na laranja. Como Pelotas com mais de 80% de ocupação, é bandeira amarela? — questiona.

Por outro lado, Nova Pádua, mesmo sem qualquer caso registrado de coronavírus, acatou a decisão e amanheceu com o comércio fechado. Ainda assim, o prefeito Ronaldo Boniatti (PSDB) ressalta que o objetivo é convencer o governo a retornar à bandeira laranja.

- Os estabelecimentos tomaram todas as medidas de higienização, mas alguns pontos decidiram fechar antes da mudança na bandeira e só reabrir quando a situação estiver mais segura. A cidade irá seguir o que o Estado vem determinado, vamos tomar as medidas para respeitar o decreto até uma nova avaliação do governador - garante.

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