Quase 3 mil mortes por dia. Brasil: Salvar vidas ou salvar negócios?

O discurso – que ignora os casos de Covid-19 que se proliferam entre jovens saudáveis – criou uma dicotomia entre salvar vidas, de um lado; e evitar um colapso econômico.

Afinal, o que é prudente ? A saúde pública e a prosperidade econômica andam juntas – ou seja, desrespeitar o isolamento, agora, deve causar perdas financeiras ainda maiores no futuro.

Claro, é impossível medir o valor efetivo da perda de uma vida. Esse cálculo teria implicações morais que são intangíveis e de impossível valoração. Existe, contudo, um aspecto específico nas mortes que é de factível contabilidade econômica, qual seja: a perda de capacidade produtiva decorrente da redução da força de trabalho. A perda humana, é claro, é maior do que a econômica.

Se o isolamento não pode ser deixado de lado mas, ao mesmo tempo, é preciso evitar consequências mais graves na economia. Esse é o papel do governo.

Garantir a sobrevivência das empresas, para que consigam manter os salários em dia mesmo fechadas.

O papel do governo é garantir crédito e liquidez para negócios saudáveis, que podem ir à falência por conta da crise. Ou seja, garantia da manutenção de ao menos parte da renda dos trabalhadores.

O discurso de que o povo precisa comer, é simplista. Significa fugir das responsabilidades, e não cortar na própria carne o grande desperdício de dinheiro público destinado a sustentar uma máquina pública que não pode mais ser sustentada.

Nos EUA, claro um país rico, Joe Biden, vai injetar US$ 1,5 trilhão na econômia e ajudar as comunidades minoritárias. Outros US$ 3 trilhões já foram injetados desde que o vírus começou a circular.

Em um orçamento público apertado, como é o brasileiro, a solução para conseguir implementar essas medidas é o endividamento. Mas dívidas se pagam, ressuscitar vidas não.


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