O jogo está jogado: Aliados já dão como garantida a vitória de Temer

O recesso parlamentar deu a Michel Temer o tempo necessário que ele precisava para articular, garantir apoios e “comprar” votos. Nas duas últimas semanas ele dedicou parte importante de sua agenda, inclusive os finais de semana, para intensificar o cortejo a deputados e lideranças partidárias. Parece que o jogo já está jogado. Na próxima quarta-feira (2), a denúncia contra o presidente da República Michel Temer será rejeitada. O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que haverá quórum suficiente para votar, um recado pois não há nada mais a fazer.

“Na minha opinião, haverá quórum. O Brasil precisa de uma definição para esse assunto. Não se pode, do meu ponto de vista, jogar com um assunto tão grave, tão sério, como uma denúncia oferecida pela PGR [Procuradoria-Geral da República] contra o presidente da República. Nosso papel é votar. Quem quiser, vota sim, quem quiser, vota não. Mas não votar é manter o país parado no momento em que o Brasil vive uma recuperação econômica, mas ainda com muitas dificuldades”, disse ele.

Maia falou com a imprensa em São Paulo e comparou Temer a um paciente em um hospital. “Acho muito grave que a Câmara não tome uma decisão. Que seja para aprovar ou não [a denúncia]. Isso é uma decisão de cada deputado. O que a gente não pode é deixar o paciente em centro cirúrgico, com a barriga aberta”, acrescentou o presidente da Casa. Maia disse ainda que um possível adiamento paralisaria a pauta do Congresso Nacional. "A melhor solução para o Brasil é que a denúncia seja votada na quarta", completou.

Até mesmo os opositores de Temer dão como certa a vitória do presidente no plenário. No campo político, Temer tem sido muito eficiente, ou seja, Temer pode não ser um presidente popular, seu governo pode não ser bem avaliado pela população, mas ele é bom na articulação política e consegue controlar com eficácia as rédeas da governabilidade.





Ele é acusado de receber propina da JBS em troca de uma solução de problemas da empresa com a Petrobras e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A matéria deve ser apreciada na próxima terça-feira 2. Segundo interlocutores do presidente, ao cabalar votos destinados a sepultar a denúncia, Temer ouviu demandas das mais variadas: vão desde os já repisados pedidos de liberação de emendas e de cargos até a solicitação de selfies e gravações em vídeo para prefeitos interessados dar uma turbinada na imagem – acredite, demonstrar proximidade com o poder rende votos, muitos votos. Foram R$ 15 bilhões em emendas parlamentares liberadas nos últimos dias. Com o triunfo na Câmara, Temer poderá retomar sua agenda econômica pelo menos até a apreciação de nova denúncia contra ele por obstrução da Justiça a ser feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

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