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Uma declaração infeliz

Uma declaração infeliz do ministro Torquato Jardim, da Justiça, provocou turbulência desnecessária nas relações entre os governos federal e do Estado do Rio. Em entrevista ao blog de Josias de Souza, hospedado no UOL, o ministro aventurou-se a apontar um conluio geral entre a Polícia Militar fluminense e o crime organizado –do qual "comandantes de batalhão", não especificados, seriam sócios.Acusou a administração estadual, ademais, de não ter comando sobre a PM; o problema, disse, só será resolvido após a eleição de um novo governador.

À fala de Torquato Jardim seguiram-se reações veementes de autoridades fluminenses, incluindo o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que anunciou a intenção de interpelar o ministro na Justiça.

Ora, é evidente que ninguém, muito menos um servidor público de primeiro escalão, pode fazer acusações tão graves sem dispor de provas que as sustentem.Mas, se não deve ser tratada de modo tão genérico e ligeiro, a corrupção na PM do Rio constitui fato mais que notório –para além do filme "Tropa de Elite", lançado dez anos atrás, há fartura de episódios de policiais presos ou investigados por envolvimento com criminosos.Mas, se o ministro dispõe de informações de serviços de inteligência, como indica, não pode limitar-se às palavras.

O presidente Michel Temer pediu ao ministro, para não dar novas declarações e ficar quieto depois das entrevistas . Temer quer aproveitar o feriado para baixar a temperatura do episódio a fim de conseguir ver o quadro desse episódio com maior clareza. Nesta quinta-feira (2), o clima foi de ressaca no Palácio do Jaburu. Com quem conversou, Temer voltou a demonstrar perplexidade com as declarações. Mas não falou em nenhum momento da possibilidade de exonerar o ministro Torquato Jardim.

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