Bolsonaro já agrada banqueiros, diz Exame

De acordo com a matéria da última edição da revista Exame, Alckmin, ex-governador do Estado de São Paulo, promete privatizar ativos do Estado, cortar gastos e equilibrar o orçamento do governo. Sua equipe econômica é altamente respeitada e ele tem apoio político suficiente para aprovar reformas no Congresso. Mas ele está em quarto ou quinto lugar nas pesquisas e é improvável que passe do primeiro turno das eleições, em 7 de outubro, de acordo com o Eurasia Group. Candidato dos sonhos dos banqueiros, ele não decola.

Sobra para os banqueiros Jair Bolsonaro, o candidato que assustou investidores no passado com comentários críticos sobre privatização e investimentos estrangeiros. Agora, ele já é visto como a opção mais viável contra a esquerda.

Em conversas com presidentes e executivos de meia dúzia dos principais bancos do Brasil, eles dizem estar confortáveis com a escolha do principal conselheiro de Bolsonaro: Paulo Guedes, um defensor do Estado pequeno, da livre iniciativa e da reforma da Previdência Social.

Desde que trouxe Guedes para sua campanha, Bolsonaro tem mostrado entusiasmo com a ideia de vender propriedades do Estado, defender a independência do Banco Central e buscar a aprovação das reformas apoiadas pelo setor bancário.

Discurso que agrada os poderosos.

Silvio Cascione, analista sênior do Eurasia Group para o Brasil diz que Bolsonaro o convenceu durante a campanha de que está realmente comprometido com as reformas e com o estímulo ao investimento estrangeiro, embora o candidato “pareça contraditório às vezes”, como quando ele defende limites às aquisições no Brasil por firmas chinesas.

Os banqueiros também têm dúvidas quanto à personalidade de Guedes, que eles dizem ser menos adequada ao trabalho em equipe necessário no governo e na formação de coalizões para promover as reformas. Eles preferem o principal assessor econômico de Alckmin, Persio Arida, ex-chairman do Banco BTG Pactual e um respeitado economista que, segundo eles, ajudaria a atrair mais autoridades talentosas para o governo.

Cascione considera que Bolsonaro tem uma chance de 60 porcento de passar para o segundo turno das eleições em 28 de outubro. Ele disse que a popularidade de Lula deve ajudar seu companheiro de chapa no PT, Fernando Haddad, a passar para o segundo turno também, com uma chance de 60 porcento. Ainda assim, a eleição continua muito incerta. Pesquisas do Ibope que incluem Haddad em vez de Lula sugerem que até 38 porcento dos eleitores estão indecisos, vão votar branco ou anular seu voto.

Os banqueiros disseram que a vitória de Lula ou Haddad seria o pior cenário, por causa de suas propostas para novos impostos sobre os ricos e sobre os bancos que não reduzirem juros que cobram em empréstimos. Um governo do PT provavelmente também promoveria mais intervenção estatal na economia, o que poderia levar a mais gastos e um maior déficit público, dizem os banqueiros.

A última esperança para Alckmin é a campanha de TV que começou na sexta-feira, dizem os banqueiros.

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