Diário do Turismo mostra a vida de Waleska Schumacher, cônsul honorária do Brasil em Curaçao.

Waleska Schumacher, cônsul honorária do Brasil em Curaçao, fala ao DIÁRIO - (Exclusivo!)

Com trajetória profissional rica e com livre trânsito no mundo diplomático, Waleska é paulistana mas viveu boa parte de sua vida em Bento Gonçalves, onde iniciou sua vida profissional na indústria vinícola, trabalhando inclusive na implantação do Vale dos Vinhedos. Em 2001 deixou o Brasil e mudou-se para a Venezuela onde montou uma empresa ligada à importação e exportação de vinho. A reportagem é de Paulo Atzingen que escreva para o Diário do Turismo. 


Pioneira

Waleska explica que como empreendedora e executiva de vinho pouco se envolveu com a política de Hugo Chaves e posteriormente Nicolás Maduro e que seu trabalho foi implantar a cultura do vinho na Venezuela. “É claro que havia algumas dificuldades, por eu ser mulher e brasileira, mas o país funcionava e oferecia muitas oportunidades;  fui pioneira naquele momento na introdução do vinho argentino e depois comecei a introdução do vinho brasileiro ; evidente que há 20 anos o Brasil não  estava tão preparado para exportar como hoje, pois o país está agora muito mais maduro para a exportação, e possuímos produtos vinícolas incríveis. Então, lhe adianto que os meus últimos 17-18 anos de vida eu me dediquei a esse trabalho empresarial na Venezuela”, revela Waleska à reportagem.

Vinho e embaixadas

Trabalhando em conjunto com a embaixada do Brasil na Venezuela, Waleska criou fortes laços de amizade com a sociedade local, produzindo e organizando eventos, claro, com vinho brasileiro. “Sempre estive muitos anos conectada com os eventos que nós organizávamos e lá tivemos a oportunidade de trazer grupos maravilhosos, de fazer eventos fantásticos e sempre fui muito ativa nesse mundo diplomático, não só do Brasil, mas também na Argentina, Chile e Uruguai, sempre com essa relação na área dos vinhos”, conta ao DT.

Waleska, em sua nova casa, em Curaçao (Crédito: DT)

Mudança

Em 2017, no entanto, Waleska adianta que a situação da Venezuela ficou insustentável e que resolveu mudar sua residência, mantendo, no entanto, sua empresa lá. “Eu cansei da situação na Venezuela, cansei principalmente pela falta da liberdade de vida, poder sair, transitar. Surgiu o medo de sair à rua, dirigir na cidade. Eu também queria alguma coisa nova, já que sou movida por desafios; então optei vir para Curaçao que eu gostei muito; a ilha me chamou por assim dizer”, pontua a empresária com seu forte sotaque gaúcho.

Recomeço

Para a maioria dos brasileiros Curaçao tem uma energia diferente, contagiante. Para Walesca, também. “Como estava a 30 minutos de voo de Caracas, como fui muito bem acolhida, e vi um campo de novos negócios aqui, resolvi me instalar em Curaçao, onde montei minha empresa na área de importação de vinho; decidi botar a minha força e o meu conhecimento, a minha origem e do que eu sou, que é o Brasil, aqui, nesta parte do Caribe”, explica.

Consul honorária

A empresária explica que o cônsul honorário anterior após cumprir seu período consular e por não querer continuar no cargo, sugeriu seu nome, que foi levado à sanção do presidente da República em outubro do ano passado.  “Fui nomeada pelo presidente já em outubro mas (a nomeação) foi publicada no Diário Oficial em janeiro desse ano. Eu aceitei, já que havia decidido mudar de ares.

Primeiras ações

Waleska deixa claro que assumir um consulado honorário – mesmo sem remuneração – não é brincadeira e exige muita dedicação e foco em resultados. “Já criamos um sistema novo em conjunto com a Embaixada de Trinidad e Tobago que é a embaixada que eu reporto a nível consular. Na prática, hoje em dia o brasileiro residente de Curaçao, que mora aqui, não precisa mais ir até a Trinidad e Tobago para dar entrada em documentos (antes ele tinha que ir presencialmente lá). Agora a gente faz uma entrevista por Skype em conjunto com a embaixada e o documento é validado. Já fizemos dois passaportes e certidões de nascimento via este tipo de avanço tecnológico”, relata.

A Curaçao Brazilian Week é a segunda ação concreta da cônsul, em Curaçao. Na foto, com a ministra da economia, Giselle Mc William (Crédito: DT)

Brazilian Week 

Uma outra ação concreta promovida pela cônsul – e testemunhada pelo DIÁRIO durante sua passagem por Curaçao – foi a organização e articulação da Curaçao Brazilian Week – ocorrida de 7 a 14 de setembro na capital do país, Willemstad. Waleska conseguiu agregar restaurantes locais que oferecem cozinha internacional a oferecerem aos turistas durante uma semana pratos típicos do Brasil. “Em paralelo – ou em consequência, lembra a cônsul – surgiu a ação da Avianca Holding que passou a vender bilhetes a preços até então imbatíveis”, adianta a executiva.
Ao agradecer o empenho de parceiros locais e brasileiros voluntários para que a Curaçao Brazilian Week acontecesse, Waleska não deixa de citar a sintonia com o governo da ilha. “O governo de Curaçao simplesmente foi receptivo à nossa ideia e  quer muito se aproximar mais do Brasil, inclusive recebi a carta do Primeiro Ministro felicitando pelo centésimo nonagésimo sétimo aniversário da nossa independência e a carta está dirigida ao Presidente da República. É uma forma também de tornar Curaçao mais conhecida pelo brasileiro”, finaliza.
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Quem é o Cônsul honorário?

Segundo o Itamaraty, os Cônsules Honorários podem ser cidadãos brasileiros ou estrangeiros com disposição de agir, nos meios locais, em favor dos interesses do Estado brasileiro e de seus nacionais e que mantenham vínculos com o Brasil e, sobretudo, com a comunidade brasileira local. O Cônsul Honorário não é servidor da carreira diplomática, nem funcionário remunerado do Estado brasileiro, exercendo sua função de forma

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