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Entrevista de Eike antes de ser preso revela que ele sabe muito e esta disposto a contar bastante

A entrevista de Eike Batista ao repórter da Rede Globo, Felipe Santana e ao cinegrafista Sherman Costa, na noite deste Domingo, quando o empresário se preparava para embarcar rumo ao Brasil onde seria preso, foi primeiramente do ponto de vista jornalístico um golaço. Nunca foi fácil entrevistar um dos símbolos recentes do nosso capitalismo nacional, imaginem nesta situação.

Sob o conteúdo de suas afirmações é possível avaliar que Eike tem muito a dizer e a colaborar com a justiça. O empresário demonstrava tranquilidade e apesar de estar visivelmente abatido deixou claro que há muito a ser revelado. Eike sabe muito e vai contar tudo, ou pelo menos quase tudo. É o que parece. "Estou voltando, porque sinceramente vou mostrar como é que são as coisas, simples assim", disse Eike. E disse mais: "Está na hora de eu mostrar, ajudar a passar as coisas a limpo". Mas não dá para encarar Eike com um pecador arrependido e aceitar que tudo aconteceu porque são as regras do jogo, ou porque se alguém quer empreender no Brasil tem que jogar o jogo sujo da propina. Isso não. Não existe corrupção sem alguém que aceita se corromper. 


O surpreendente, neste caso, é como um homem que até três anos atrás era dono da sétima maior fortuna do mundo, acaba no banco dos réus e todo endividado. Em 2012, Eike Batista tinha quase R$ 100 bilhões. Em 2012, em uma entrevista ao Fantástico, ele marcava data para chegar ao topo da lista dos mais ricos do mundo. Em 2015, Eike estava devendo quase R$ 3,5 bilhões. E agora foi pego pela justiça no escândalo do caso Sérgio Cabral. Assim como em 2015, Eike elegeu como culpados pelo seu prejuízo financeiro os executivos, investidores e a falta de sorte. Agora, sem dúvida, Eike vai jogar tudo na conta dos políticos.

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