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Argentina vai ao FMI novamente, anunciou Macri nesta terça-feira

Transeunte olha tela com as cotações das moedas estrangeiras numa casa de câmbio no centro de Buenos Aires.
A Argentina solicitará novamente a assistência do Fundo Monetário Internacional (FMI) após 12 anos. Em uma mensagem gravada, o presidente argentino Mauricio Macri anunciou que havia conversado com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, para pedir ajuda financeira. Macri disse que seu país precisa do dinheiro para superar um contexto internacional "cada dia mais complexo", com taxas de juro mais altas. Na terça-feira, o peso argentino se desvalorizou mais de 5% em relação ao dólar, em um contexto internacional de forte pressão sobre as moedas de economias emergentes. 

O pedido de ajuda da Argentina ao FMI é a história de um fracasso. O projeto neo-liberal de Macri parece não dar certo. A crise da Argentina foi produzida no próprio país, com a política do deficit zero, a manutenção do pagamento dos juros e a paridade cambial entre o peso e o dólar.

O dólar subiu para 23,50 pesos na manhã desta terça-feira, apesar das medidas extraordinárias para conter a valorização. Na sexta-feira, o Banco Central da Argentina elevou a taxa de juro de 32,25% para 40%, em uma tentativa de desencorajar investidores que fugiam do peso a toda velocidade e apostavam na moeda norte-americana. 

Recorrer ao FMI repercute mal entre os argentinos. O Fundo Monetário Internacional só traz más lembranças na Argentina. É quase uma palavra ruim, associada às políticas de ajuste e às piores catástrofes financeiras. Os argentinos têm motivos para pensar assim. O primeiro empréstimo que o Fundo deu ao país sul-americano foi em 1957, para um governo militar. Desde então, sua presença acompanhou todas as crises econômicas que sacodem a Argentina de forma cíclica. Os últimos presidentes argentinos sempre recorreram ao fundo para estacar suas crises. 

Em 2006, o presidente Néstor Kirchner conseguiu eliminar o déficit, graças às receitas extraordinárias das exportações de matérias-primas. Os países emergentes viviam anos de prosperidade econômica e o kirchnerismo quis dar um golpe de efeito: cancelou a dívida de 9,8 bilhões que a Argentina tinha com o FMI e se declarou livre de qualquer condicionamento. As bandeiras de uma suposta soberania econômica estavam muito altas e os argentinos acompanharam o kirchnerismo com seus votos.

Mas o vento de popa não durou. Os preços das matérias-primas caíram e a Argentina passou a gastar mais do que produzia. O kirchnerismo decidiu então se financiar em pesos, sobretudo com o dinheiro dos fundos de pensão. Fechado o crédito externo, emprestava a si mesmo com a emissão de moeda. Em troca, não precisava prestar contas a ninguém. Macri chegou ao poder em 2015 e disse que a situação herdada era insustentável. Voltou então aos mercados internacionais. Primeiro pagou 9,3 bilhões para os chamados fundos abutres para acabar com o litígio por causa do calote da dívida externa declarada em 2001. Em dois anos tomou mais de 50 bilhões de dólares no mercado internacional, mas isso não foi suficiente para fazer do peso uma moeda à prova de tempestades externas. Hoje disse que pedirá ajuda ao Fundo novamente, e os argentinos têm dificuldade em acreditar que desta vez será diferente.


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