Pronunciamento de Bolsonaro à nação é um atentado ao esforço que cada município tem feito para proteger sua população

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Em pronunciamento no rádio e na TV na noite desta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o novo coronavírus (covid-19) está sendo enfrentado e pediu calma à população. "Sem pânico ou histeria, como venho falando desde o princípio, venceremos o vírus e nos orgulharemos”, disse o presidente.

Bolsonaro afirmou que as autoridades devem evitar medidas como proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa. “Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”, destacou.

Foi uma declaração infeliz e que vai em direção contrária ao que a grande maioria dos municípios e estados estão fazendo. Se o isolamento social é a melhor arma para se evitar a propagação do vírus, o Presidente, no mínimo, foi irresponsável em defender o contrário.

Todas as autoridades de saúde pública tem defendido que é preciso, pelo menos, 14 dias de isolamento para se evitar que a propagação do vírus ganhe proporções incontroláveis, ao ponto de criar um caos na saúde pública. Ninguém quer isso.

Mas, nem bem passado os primeiros quatro dias, onde tudo fechou, a sociedade já discute a eficácia das medidas, e parece estar convencida de que isso não é o correto. Bolsonaro é um destes. Ele zomba das medidas.

Ele comparou novamente a covid-19 a uma "gripezinha" ou "resfriadinho" e pediu para prefeitos e governadores "abandonarem o conceito de terra arrasada", que, para ele, inclui o fechamento do comércio "e o confinamento em massa".Chegou ao ponto de dizer que caso ele mesmo fosse contaminado, pegaria uma "gripezinha". Segundo ele, 90% da população não terá qualquer manifestação da doença, caso se contamine. Como ele pode ter essa certeza?;

Na gestão de crise, avaliar e reavaliar as decisões são constantes. Mas também é preciso cautela. O Presidente parece estar desconectado com todas as outras autoridades brasileiras.

Os danos de seu pronunciamento são gravissímos. O papel de um líder é orientar e não gerar dúvidas. O momento é grave, não cabe politizar, mas opor-se aos infectologistas passa dos limites. Sua fala poe em cheque o que seu ministro e as outras autoridades da saúde pública tem feito.

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