O pedido de demissão do Ministro Moro representa fim do moralismo pregado por Bolsonaro

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O fato é grave. As declarações de Moro suscitam que o jogo político e tudo aquilo que ele defendeu e teve como garantias do presidente Bolsonaro que não seriam mais aceitas na república se foram. Estão perdidas, e o mecanismo volta a funcionar. Pelo menos 7 crimes o presidente já teria cometido. Moro tem provas documentais, diz a imprensa. Bolsonaro disse que vai se pronunciar e restabelecer a verdade. Não tem como. Ficará sempre a suspeição, até a apuração final dos fatos.

“Busquei ao máximo evitar que isso acontecesse, mas foi inevitável”, lamentou o ministro, por fazer o anúncio de sua demissão em meio à pandemia da Covid-19. “Não foi por minha opção”.

O pedido de demissão de Moro ocorreu depois de o presidente exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, do cargo. A Polícia Federal faz parte da estrutura do Ministério da Justiça, pasta que Moro ocupava. “O grande problema dessa troca é uma violação da promessa que me foi feita”, afirmou Moro. “Isso não aconteceu na Lava Jato, a despeito de toda a desordem”, disse.

É bem provável que a câmara e o Senado instalem CPI para investigar denúncias de Moro. A crise política se instala fortemente, é o pior momento do presidente que fritou recentemente seu ministro da saúde e anda ignorando os avisos da economia previstos por Guedes. As afirmações de Moro é prato cheio para Rodrigo Maia.

Segundo Moro, Bolsonaro afirmou que queria colocar alguém no cargo alguém a quem “ele pudesse ligar, pedir relatórios”. Além disso, Moro afirmou que o presidente disse que “tinha preocupação com inquéritos no STF” e que por isso a troca seria oportuna.

Pouco antes do anúncio oficial da saída de Moro, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, disse que “o juiz Sergio Moro representou a face da Lava Jato”, uma operação que “transcendeu o fato de ser uma operação policial-judicial e passou a ser um símbolo, passou a ocupar um espaço no imaginário social brasileiro”. Em sua visão, a notícia de sua demissão “revela, como fatos já vinham revelando, um certo arrefecimento desse esforço de transformação do Brasil”.

O ministro Marco Aurélio, do STF, em entrevista à Rádio Gaúcha, destacou que a Polícia Federal não pode ser polícia de governo, e sim de Estado. “Portanto, tem que atuar com absoluta independência”, disse. Para o ministro, o novo designado para o comando da PF “já vai chegar com um estigma, sob suspeição quanto à sua atuação”. O ministro não se manifestou se Bolsonaro cometeu ou não crime de responsabilidade, pois disse que é papel do Congresso e do Procurador-Geral da República (PGR) se pronunciarem sobre isso.

Moro sai fortalecido novamente. Era o ministro mais popular do governo. Manter suas convicções o fazem novamente uma referência de moralidade contra a corrupção que o povo tão fortemente repudiou nas urnas na última eleição e nos milhares de protestos por todo o país.

As acusações de Moro sobre as supostas interferências de Bolsonaro na atividade da PF também foi repudiada pelos procuradores integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Por meio de nota, os procuradores dizem que “o trabalho do Estado contra a corrupção exige instituições fortes, que trabalhem de modo técnico e livre de pressões externas nas investigações e processos”. Assim, “a escolha de pessoas para cargos relevantes na estrutura do Ministério da Justiça e da Polícia Federal deve ser impessoal, guiada por princípios republicanos e jamais pode servir para interferência político-partidária nas investigações e processos”.

Há uma dupla pressão política do presidente Presidente sobre a Polícia Federal: a primeira é a continuidade da Operação Lava-Jato, a segunda é a investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.


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